segunda-feira, 25 de maio de 2015
A REALIDADE DE SER GERENTE
O contexto de mercado altamente competitivo obriga gestores a decidirem pensando cada vez mais no agora, ou seja, os resultados são cobrados e esperados no curto prazo. Muito se assemelha ao mundo do futebol,no qual os treinadores devem apresentar resultados logo que assumem uma equipe. Agir com os olhos somente no longo prazo é cavar sua própria sepultura. As teorias de que o administrador deve agir de maneira racional, lógica e por partes fica cada vez mais em segundo plano face às pressoões advindas do ambiente interno das organizações e principalmente do ambiente externo .
Pensemos em um cenário em que você assuma a gestão de uma empresa que se encontra em um verdadeiro caos. Contas atrasadas (com colaboradores, fornecedores e bancos), redução de domínio de grande fatia do mercado e projeção obscura em relação a seu futuro. O que os acionistas esperariam em uma situação com essa? Lógico que suas expectativas estariam centradas na recuperação imediata da empresa, mesmo que para isso fosse necessário utilizar novas fontes de financiamento de terceiros, quer seja em um banco, ou com a abertura de boa parte do capital da entidade. Os riscos nesse caso teriam grande chance de serem ignorados e por mais que o gestor soubesse do perigo dessas ações ele teria que executá-las. Ouvimos o clichê, que já se transformou em "lugar comum" - bem verdade -, de que "na prática a situação é diferente". E apesar dessa afirmação não ser nenhuma novidade, ela passa longe de não ser uma verdade. Pensar que tudo que a academia nos explica é a mais pura verdade chega a ser uma ilusão. Não que ela não nos adverta quanto ao dinamismo que o gestor irá enfrentar, mas não nos explana com a profundidade a realidade do trabalho daqueles que são chamados de chefes. Aliás, parece até que essa nomenclatura é vendida com a intenção de dizer que o chefe possui menos tarefas diárias, cabendo ao nível operacional o trabalho mais pesado. Cabe identificarmos o que seria esse trabalho mais pesado. Lidar com pressões o tempo inteiro é quase sempre mais desgastante.
Há pouco tempo, estive com um professor meu, que trouxe uma discussão sobre esse assunto. A turma o julgou como pessimista, como uma pessoa que desacreditou da administração e que estava enxergando a profissão com olhos totalmente práticos. Ele se defendeu dizendo que estava mostrando a realidade e que é impossível encontrar um gerente que passe perto da tranquilidade. Prefiro acreditar em sua versão.
Que aprendamos a teoria, nos aprofundemos nela, sabendo porém que a prática sempre terá sua grande relevância.
Texto publicado em 30/03/2016, por Rodrigo Gusmão de Lima, blogueiro do tendenciasdaadministracao.blogspot.com
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