quinta-feira, 9 de junho de 2016
A hierarquia é necessária?
Até que ponto a hierarquia é benéfica às organizações? Trata-se de um assunto complexo que paira sobre a Administração. Primeiro porque a Administração herdou a hierarquia de organizações como a Igreja e Militarismo, portanto, querer mudar isso agora é difícil, afinal é um longo período de influência levado para as relações dentro das empresas.
É possível uma organização conduzir suas relações e processos internos sem a presença da hierarquia? A resposta para esse questionamento é óbvia, afinal a necessidade por poderes, delegação e controle é evidente para que todo planejamento seja implementado, resultando em objetivos conquistados. A discussão aqui tratada é mais profunda. Esse deve ser o pensamento de todo aquele que está inserido no contexto organizacional e que percebe o quanto o dinamismo imposto pelo mercado exige decisões mais rápidas e eficientes. Mas como conseguir isso se simples processos são travados por conta do excessivo zelo prestado à hierarquia? Enquanto a análise for rasa em sua concepção, de modo a admitirmos a utilidade da hierarquia – o que de fato procede, mas estacionado nesse ponto toda reflexão - teremos empresas engessadas, pouco inovadoras, limitadoras do potencial humano e com pessoas desmotivadas.
Em ambientes assim, ideias são abortadas e projetos cancelados, simplesmente porque o crivo para a aprovação é longo, o que retarda a implementação de ideias capazes de gerar resultados satisfatórios às empresas.
Ferramentas gerenciais já existem com o objetivo de reduzir os níveis hierárquicos, acelerando a comunicação e aproximando aqueles que estão mais próximos dos processos diários daqueles que exercem papel estratégico. Engana-se quem pensa que as grandes ideias partirão sempre da alta cúpula, negligenciando a capacidade daqueles que vivem o dia-a-dia e que percebem as necessidades dos consumidores. A necessidade por se ouvir mais é evidente e muito mais do que isso, ouvir e levar em consideração a opinião de todos, evitando o apego a algo que mais prejudica do que beneficia as organizações. A hierarquia tem a péssima característica de simplesmente anular a opinião de níveis inferiores e podemos pensar que isso não mais ocorre atualmente, afinal, os tempos mudaram e a valorização ao colaborador é maior. O problema é que em grande parte essa valorização restringe-se à teoria, sendo pouco vista na prática e o que continuamos a ver são empresas fadadas ao domínio quase que interminável de gestores que dificilmente perceberão o valor de se “quebrar” as regras existentes entre os níveis organizacionais.
Texto escrito por Rodrigo Gusmão de Lima, blogueiro do tendênciasdaadministracao.blogspot.com
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